quarta-feira, 23 de novembro de 2016

"A ÁGUIA E O FALCÃO" ( Parte 2 )

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Os jovens abraçaram-se com ternura e logo  partiram para cumprir a missão recomendada. No dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco.
  O velho pediu que com cuidado as tirassem do saco e viu que eram verdadeiramente formosos exemplares.
  - E agora o que faremos? – perguntou o jovem – as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue? Ou as cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? - propôs a jovem.
  - Não! – disse o feiticeiro – apanhem as aves e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro.
  Quando as tiverem amarrado, soltem-nas para que voem livres.
  O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado e soltaram os pássaros: a águia e o falcão tentaram voar, mas apenas conseguiram saltar pelo terreno.                Minutos depois, irritadas pela incapacidade do voo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.
  E o velho disse:

  - Jamais esqueçam o que estão vendo: este é o meu conselho. Vocês são com a águia e o falcão; se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se como também, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mas jamais amarrados.  

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"A ÁGUIA E O FALCÃO" ( Parte 1)

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  Conta uma velha lenda dos índios Sioux que uma vez Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas atá tenda do velho feiticeiro da tribo.

  - Nós nos amamos e vamos nos casar – disse o jovem. E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho ou um talismã, alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos: que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?
  E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:

  - Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada. Tu, Nuvem azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia e, apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte e trazê-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia. E tu, Touro Bravo – continuou o feiticeiro – deves escalar a montanha do trono e lá em cima encontrarás a mais brava de todas as águias. Somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!

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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

EU E O ESPELHO

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Conheci alguém que muito queria conhecer o amor, mas por má sorte ou por merecimento, talvez, só lhe era disponibilizado o desamor, o sofrimento e a dor. O que mais fortalecia  o seu desejo de amar e de ser amado.
·   Certo dia, porém, recebeu a visita de outro alguém que vivia numa baita solidão, quase chegando à depressão!
·  Ambos se reconheceram no sofrimento que os atingia e puseram-se a dialogar. Porém, não paravam de falar, expressando-se ao mesmo tempo! Era a mesma fala e a mesma história. Desistiram. Baixaram a cabeça, constrangidos de continuar. O silêncio reinou entre eles.  Olharam-se nos olhos, ambos na mesma direção. Puseram-se então, a chorar. Novamente soluçaram juntos. Uma lágrima, duas, três... rolaram em suas faces. Entreolharam-se juntos também. Fecharam o cenho. Arregalaram os olhos. Abriram a boca num espanto só! Sorriram enfim...
·       Só então, comecei a rir alto. Dei gargalhadas a não mais conter-me! Encontrei, não um parceiro, mas um amigo.
·                Estava eu à frente de um espelho!
Enfim, acordei e me achei! Pois de bobeira, encontrei alguém que vale a pena, por primeiro, eu amar.


                                  XXX

·       A moral dessa minha história é que, quando estiver sozinho, sem um (a) amigo (a),  
  para dividir suas alegrias, dores  ou  dissabores, busque o espelho como seu único leal companheiro e encontrará você, a quem deve amar de verdade e por primeiro.

 Aut.: Sônia Lúcia

 A autora todos os direitos reservados 


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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

MAIS UM POUCO DA HISTÓRIA DO PROFETA GENTILEZA

Por Revista RAIZ.
27 de agosto de 2008
Ao resgatar a filosofia do profeta urbano, novo espetáculo circense da ONG Crescer e Viver fortalece o conceito mais amplo da cultura da gentileza 



trabalhar a mensagem de Gentileza na linguagem circense e fazer com que suas idéias retornem ao seu solo primeiro. Este é o grande desafio do novo espetáculo da ONG Crescer e Viver: Univvverrsso Gentileza, que estréia no dia 28 de agosto, quinta-feira (já ocorrido), sob a direção de Gambá Jr. Mais do que apresentar a figura teatral do Profeta Gentileza e a força da frase “Gentileza gera gentileza”, o espetáculo mergulha na tensão contemporânea para provocar a reflexão: será que podemos viver de outra forma? 

A montagem, que conta com patrocínio da Petrobrás – por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura -, é uma adaptação do livro Univvverrsso Gentileza, de Leonardo Guelman, e irá confrontar a crise de valores observada por José Datrino, o profeta Gentileza, nos anos 60 com a realidade atual da sociedade. “A concepção do espetáculo tem como objetivo mostrar os escritos do Profeta como símbolo de um princípio reestruturador das relações humanas”, explica Junior Perim, coordenador do Crescer e Viver. Para a ONG, retomar o Profeta Gentileza na construção do espetáculo significa o despertar de uma atitude, de uma idéia positiva diante da vida, que se conjuga aos princípios e ações formadoras em Circo Social.

“Este espetáculo tem algo maior por detrás. Além de uma atualização da obra do Profeta Gentileza ele assume também o desafio estético de atualizar o legado do profeta que pregou a gentileza como paradigma relacional e, em seu 35 anos de "vida profética" percorreu os interiores do Brasil passando por 50 cidades distribuídas por 14 estados em todas regiões brasileiras, pregando o amor, a gentileza, o respeito à natureza, consolidando a sua obra em um verdadeiro livro urbano no Viaduto do Caju, porta de entrada do Rio de Janeiro com 56 mensagens denunciando o egoísmo, o "capitalismo", enfim todo uma mensagem como grafia e linguagem própria que, intuitivamente, ele mesmo desenvolveu”. As pilastras, hoje tombadas pelo patrimônio público depois de terem sido restauradas, são o testemunho e a prova do pensamento desse filósofo popular.

Gentileza, personagem inscrito na memória popular do país, com suas pregações pelas cidades, tornou-se ícone de uma postura mais humana e gentil. Tomado por uma revelação após o incêndio de um circo em Niterói, em 1961, largou tudo para pregar a gentileza em um movimento que assumiu por 35 de seus 79 anos de vida. Homem simples e de grande intuição, viu naquela tragédia a metáfora de uma crise maior, pois, para ele, “a derrota de um circo queimado é um mundo representado, porque o mundo é redondo e o circo arredondado”.

Essa imagem marca o início da missão que o leva a querer transformar, tanto aquele lugar da tragédia, quanto à sociedade em que vivia. De estandarte em punho, encimado por flores, cataventos e bandeiras, torna-se um personagem reconhecidamente popular, e como um cavaleiro andante se incumbe da missão de levar a gentileza ao mundo. Sua mensagem se consagrou, então, nas viagens que realizou nos interiores do país e, finalmente, pela obra mural que realizou nas pilastras do Viaduto do Caju, no Rio de Janeiro, onde seus escritos conformam um autêntico livro urbano.

“A poética de Gentileza não recebe do circo apenas seu fundamento mítico. Também a verve, o caráter lúdico e a gestualidade que nele se mostram, revelam, em certa medida, um circo ambulante, um personagem saltimbanco e perambulante com seus penduricalhos, pregando como um louco ou como um clown de Deus. E há muita profundidade em seu dizer, como se revela na essência da sua intuição ética que o fez reconhecer, numa palavra, uma alternativa para os males da sociedade: a gentileza, como um princípio gerador e propagador, expressa em sua máxima ‘gentileza gera gentileza’”, observa Leonardo Guelman.

OCORRIDO:
A temporada de Univvverrsso Gentileza – com apresentações de quinta a sábado, às 20h – vai até o dia 12 de outubro, quando uma apresentação extra, no domingo, comemorará o dia das crianças. O espetáculo tem preço popular, R$10, e estudantes, idosos e classe artística pagam meia. Dos 450 ingressos disponíveis para cada apresentação, 150 serão doados a escolas, ONGs e projetos sociais. Em sintonia com o objetivo do Crescer e Viver de estimular a geração de renda para os jovens que beneficia em seus projetos e atividades, por meio da produção artística, 70% da bilheteria será revertida para o elenco. O restante terá como destino projetos sociais da organização.

Este deve ser apenas o começo. A ideia é transformar a obra de Gentileza em Patrimônio Afetivo do país. “Os escritos já estão tombados, mas há uma questão fundamental que anima o imaterial, que é o aspecto afetivo, ético e espiritual do legado de Gentileza”, diz Leonardo Guelman. A ideia é que, após a temporada na Praça Onze o espetáculo caia na estrada e a intenção dos envolvidos no projeto é que a primeira parada seja em Niterói. “Estamos buscando parceiros para fazer uma apresentação lá e, dessa forma, quebrar o tabu do incêndio que aconteceu em 1961”, adianta Junior Perim. 

PESQUISA realizada na
Internet por SÔNIA LÚCIA (com pequenas adaptações)