quinta-feira, 17 de novembro de 2016

MAIS UM POUCO DA HISTÓRIA DO PROFETA GENTILEZA

Por Revista RAIZ.
27 de agosto de 2008
Ao resgatar a filosofia do profeta urbano, novo espetáculo circense da ONG Crescer e Viver fortalece o conceito mais amplo da cultura da gentileza 



trabalhar a mensagem de Gentileza na linguagem circense e fazer com que suas idéias retornem ao seu solo primeiro. Este é o grande desafio do novo espetáculo da ONG Crescer e Viver: Univvverrsso Gentileza, que estréia no dia 28 de agosto, quinta-feira (já ocorrido), sob a direção de Gambá Jr. Mais do que apresentar a figura teatral do Profeta Gentileza e a força da frase “Gentileza gera gentileza”, o espetáculo mergulha na tensão contemporânea para provocar a reflexão: será que podemos viver de outra forma? 

A montagem, que conta com patrocínio da Petrobrás – por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura -, é uma adaptação do livro Univvverrsso Gentileza, de Leonardo Guelman, e irá confrontar a crise de valores observada por José Datrino, o profeta Gentileza, nos anos 60 com a realidade atual da sociedade. “A concepção do espetáculo tem como objetivo mostrar os escritos do Profeta como símbolo de um princípio reestruturador das relações humanas”, explica Junior Perim, coordenador do Crescer e Viver. Para a ONG, retomar o Profeta Gentileza na construção do espetáculo significa o despertar de uma atitude, de uma idéia positiva diante da vida, que se conjuga aos princípios e ações formadoras em Circo Social.

“Este espetáculo tem algo maior por detrás. Além de uma atualização da obra do Profeta Gentileza ele assume também o desafio estético de atualizar o legado do profeta que pregou a gentileza como paradigma relacional e, em seu 35 anos de "vida profética" percorreu os interiores do Brasil passando por 50 cidades distribuídas por 14 estados em todas regiões brasileiras, pregando o amor, a gentileza, o respeito à natureza, consolidando a sua obra em um verdadeiro livro urbano no Viaduto do Caju, porta de entrada do Rio de Janeiro com 56 mensagens denunciando o egoísmo, o "capitalismo", enfim todo uma mensagem como grafia e linguagem própria que, intuitivamente, ele mesmo desenvolveu”. As pilastras, hoje tombadas pelo patrimônio público depois de terem sido restauradas, são o testemunho e a prova do pensamento desse filósofo popular.

Gentileza, personagem inscrito na memória popular do país, com suas pregações pelas cidades, tornou-se ícone de uma postura mais humana e gentil. Tomado por uma revelação após o incêndio de um circo em Niterói, em 1961, largou tudo para pregar a gentileza em um movimento que assumiu por 35 de seus 79 anos de vida. Homem simples e de grande intuição, viu naquela tragédia a metáfora de uma crise maior, pois, para ele, “a derrota de um circo queimado é um mundo representado, porque o mundo é redondo e o circo arredondado”.

Essa imagem marca o início da missão que o leva a querer transformar, tanto aquele lugar da tragédia, quanto à sociedade em que vivia. De estandarte em punho, encimado por flores, cataventos e bandeiras, torna-se um personagem reconhecidamente popular, e como um cavaleiro andante se incumbe da missão de levar a gentileza ao mundo. Sua mensagem se consagrou, então, nas viagens que realizou nos interiores do país e, finalmente, pela obra mural que realizou nas pilastras do Viaduto do Caju, no Rio de Janeiro, onde seus escritos conformam um autêntico livro urbano.

“A poética de Gentileza não recebe do circo apenas seu fundamento mítico. Também a verve, o caráter lúdico e a gestualidade que nele se mostram, revelam, em certa medida, um circo ambulante, um personagem saltimbanco e perambulante com seus penduricalhos, pregando como um louco ou como um clown de Deus. E há muita profundidade em seu dizer, como se revela na essência da sua intuição ética que o fez reconhecer, numa palavra, uma alternativa para os males da sociedade: a gentileza, como um princípio gerador e propagador, expressa em sua máxima ‘gentileza gera gentileza’”, observa Leonardo Guelman.

OCORRIDO:
A temporada de Univvverrsso Gentileza – com apresentações de quinta a sábado, às 20h – vai até o dia 12 de outubro, quando uma apresentação extra, no domingo, comemorará o dia das crianças. O espetáculo tem preço popular, R$10, e estudantes, idosos e classe artística pagam meia. Dos 450 ingressos disponíveis para cada apresentação, 150 serão doados a escolas, ONGs e projetos sociais. Em sintonia com o objetivo do Crescer e Viver de estimular a geração de renda para os jovens que beneficia em seus projetos e atividades, por meio da produção artística, 70% da bilheteria será revertida para o elenco. O restante terá como destino projetos sociais da organização.

Este deve ser apenas o começo. A ideia é transformar a obra de Gentileza em Patrimônio Afetivo do país. “Os escritos já estão tombados, mas há uma questão fundamental que anima o imaterial, que é o aspecto afetivo, ético e espiritual do legado de Gentileza”, diz Leonardo Guelman. A ideia é que, após a temporada na Praça Onze o espetáculo caia na estrada e a intenção dos envolvidos no projeto é que a primeira parada seja em Niterói. “Estamos buscando parceiros para fazer uma apresentação lá e, dessa forma, quebrar o tabu do incêndio que aconteceu em 1961”, adianta Junior Perim. 

PESQUISA realizada na
Internet por SÔNIA LÚCIA (com pequenas adaptações)

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