quarta-feira, 18 de novembro de 2015

"JEAN PASSEIA EM PARIS"

  
  "Jean passeava com seu avô em Paris. A determinada altura, viu um sapateiro sendo destratado por um cliente, que alegava defeitos em seu calçado. O sapateiro escutou calmamente a reclamação, pediu desculpas, e prometeu refazer o serviço.
  Jean e o avô pararam para tomar um café. Na mesa ao lado, o garçom  pediu que um homem - com aparência de importante - movesse um pouco a cadeira, para abrir espaço. O homem irrompeu numa torrente de reclamações, e negou-se.
  - Nunca esqueça do que viu - disse o avô. - O sapateiro aceitou uma reclamação, enquanto este homem a nosso lado não quis mover-se. Os homens que fazem algo útil, não se incomodam de serem tratados como inúteis. Mas os inúteis sempre se julgam importantes, e escondem toda a sua incompetência atrás da autoridade."

      História relatada pelo escritor Paulo Coelho

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terça-feira, 17 de novembro de 2015

"ENCONTRO COM O DIABO"

  
  "Certo homem devoto, convencido de que era um sincero Buscador da verdade, submeteu-se a uma longa sequência de disciplina e estudo.
  Por um período considerável de tempo, teve muitas experiências, tanto em sua vida interior, como exterior, junto a vários mestres.
  Um dia, meditando, viu subitamente o diabo sentado ao seu lado.
  Afasta-te, demônio - gritou - não tens nenhum poder para me causar dano, pois estou seguindo o Caminho dos Eleitos. A aparição se esfumou.

  Um verdadeiro sábio que por ali passava, disse-lhe, com tristeza:
  - Ah, meu amigo. Assentaste teus esforços, sobre bases tão inseguras, tais como teu medo inalterado, tua avareza  e tua auto-estima, que chegaste a tua última experiência possível.
- E por que? - perguntou o buscador.
- Esse diabo é, na realidade, um anjo. Diabo é como tu o viste.

Extraído do livro Sufismo no Ocidente.

Moral da história* 
  Quanto mais nos julgamos sábios, menos sabemos. Quanto mais nos julgamos corretos, mais erramos. Quanto mais nos julgamos bondosos, mais injustiças cometemos. Na verdade, a verdadeira consciência nos mostra o quanto temos a aprender na mesma medida em que mais aprendemos. Poque somente  os que se aprofundam em busca de sua própria alma reconhece o quão curta é uma vida para que descubramos o segredo de um coração humano."
Dica!*
Quando olhar para alguém e perceber nele algo de ruim, olhe de novo e atentamente. Terminará compreendendo que tudo o que vê no outro é, de alguma forma, reflexo de si mesmo. Assim, cada um de nós é mestre, refletindo luz e sombra para que, a cada momento, sejamos uma oportunidade de lucidez.

Observação:
É possível verificar no texto, como nossos condicionamentos,  preconceitos e julgamentos antecipados podem alterar uma realidade.  (Sônia Lúcia)

*Rosana Braga - Escritora, Palestrante e Consultora em Relacionamentos.

Imagem: Google

domingo, 15 de novembro de 2015

O LAVRADOR E SEUS FILHOS


Sentindo a morte próxima,
um rico lavrador chamou seus filhos
e, pausadamente, com esforço,
escolhendo as palavras,
assim lhes falou:

"por motivo algum deverão vocês
vender esta terra que vão herdar
e que eu próprio herdei dos meus pais,
pois há um tesouro escondido nela,
não sei o lugar,
não sei quem escondeu,
não sei mais nada!
Vocês, porém, com certeza,
haverão de encontrá-lo,
cavem a terra,
remexam, removam,
façam buracos.
Plantem milho e feijão,
Plantem mandioca e cenoura.
Plantem com amor
tudo o que a terra lhes pedir."

Após a morte do pai,
os filhos retornaram aos campos
o fizeram exatamente
o que ele lhes recomendou.

Tão obedientes foram
que, um ano depois,
tesouro algum tinham encontrado.
Mas a terra, fértil, verdejante,
agradecia os cuidado
a ela dispensados,
em forma de favos, espigas,
em tesouros claros e coloridos
escondidos a um palmo do chão.

E os filhos compreenderam
toda a sabedoria do pai
ao mostrar-lhes, antes de morrer,
que o trabalho é o verdadeiro tesouro.

 Fábulas de La Fontaine 

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sábado, 14 de novembro de 2015

"MAGALI NO FORNO"


 Livro "Caderno de Receitas da Magali" ganhou o Gourmand Awards ...

Magali dormia no sofá da sala de sua casa:     Z...  
- Acorda filhinha! Vai deitar na sua caminha, vai? Já está muito tarde! - Chamou sua mãe.
E lá se foi Magali, caminhando, mas ainda dormindo.
Ao se dar conta de que Magali se dirigia ao lado contrário de seu quarto, a mãe retornou:
 - Magali, o seu quarto fica para o outro lado! Magali!
Pondo-se a procurá-la, encontrou-a dentro do forno; e a sono solto: Z...
Há, há, há, há, há... Riu a mãe em voz alta, não se contendo.
- Ô mãe! Pára de rir! Eu quero dormir! - Falou Magali, acordando.
- Pois é filhinha! só que você não pode dormir no forno do fogão!
- Er... acho que eu estava dormindo! - Disse após despertar completamente.
- No dia seguinte... ao acordar em sua cama, levantou-se e escutou vozes. Era sua mãe conversando:
- Dormindo no fogão?!
- Pois é! Ela nem se deu conta... já estava muito bem ajeitada no forno!
- E cadê ela?
- Daqui a pouco, ela acorda pra brincar com você!
Ainda aturdida com o que ouvira, aproximou-se  às escondidas para ver com quem a mãe conversava.
E com espanto, pensou: Oh, não! A mamãe tinha que contar logo pro Dudu! Todo mundo na rua vai ficar sabendo, por causa daquele linguarudo! Todos vão me chamar de maluca!
- Espera um pouco, Dudu! Eu vou chamar a Magali! - Continuou sua mãe.
Ouvindo isso, ela voltou ligeiro para sua cama.
E sua mãe, chegando, disse-lhe:
- Magali, o Dudu veio brincar com você!
- Ai, mãe! Eu tô dodói!
- Dodói?! O que você está sentindo?
- Er... bem... acho que é dor de cabeça!
- Isso não deve ser grave! Talvez seja porque você dormiu no forno! Hi, hi,hi! Eu peço pro Dudu voltar outra hora!
Satisfeita, Magali novamente pensou: 
- Bem... acho que consegui escapar da gozação!
Mas para sua surpresa:
- Oi, Magali! - disse Dudu.
- É o Dudu! Vou fingir que não ouvi! - Pensou .
- Ei, Magali! Tô falando com você! Acorda, Magali! Você dorme como uma pedra! Ei, Magali! você não está num fogão! Ih, acho que você dormiu demais no forno! Como sua orelha, tá vermelha!
Em seguida, Qinzinho aproximou-se da janela do quarto de Magali, onde Dudu falava alto, e disse assim (sua voz já sendo reconhecida por Magali): 
- Oi Dudu! o que você está fazendo?
- Tentando acordar a maluca da Magali!
- A Magali não é maluca coisa nenhuma! pode até ser comilona! Mas maluca, não é!
- É isso aí, Quinzinho! - pensou Magali, ainda fingindo dormir. 
- Então você não sabia que ela gosta de dormir no forno do fogão? - disse Dudu...
- Oh, não! - pensou Magali, muito zangada...
- Eu não acredito nisso! - falou Quinzinho.
- Então, por que você acha que ela  está fingindo que está dormindo? - referiu Dudu.
- Ela não está fingindo! A coitadinha deve estar cansada! - expressou Quinzinho.
- Ah, é? Então dá um teco desse sorvete pra mim? - disse Dudu, querendo enfatizar que Magali fingia dormir.
- Sorvete? Cadê o sorvete? Cadê? - clamou alto, levantando bruscamente  da cama.
- Viu? - falou Dudu. Sentindo-se vitorioso por ter acertado...
- Magali, é verdade o que o Dudu falou?
- Glup! Er... bem... é... mas... - Titubeou Magali, constrangida.
- Oh, não! você é maluca? - falou Quinzinho. Já convencendo-se, mas ao mesmo tempo duvidoso do que ouvira.
- É! - Afirmou Dudu.
- Não! Não foi isso que eu quis dizer! Eu fui deitar no forno do fogão, é verdade! Mas eu estava dormindo - expressando-se muito aborrecida.
- Isso não é normal! - Falou nova,mente Dudu.
- É normal, sim! Uma vez, eu estava dormindo no tapete da sala e o papai me chamou... - disse Qinzinho, tomando a defesa de Magali.
- Dormir no tapete é normal! - retrucou Dudu... 
- ... Daí eu levantei e fui deitar na geladeira
- Hi, você também é maluco!
- Que nada! O papai falou que, quando a gente acorda, às vezes, perde a noção de direção! - continuou Quinzinho.
- Eu não acho. Vocês são malucos, isso, sim! - Falou Dudu, saindo inconformado.
- Não liga pra ele! O Dudu ainda é muito criança! - disse Magali.
- Hum... que tal a gente ir tomar um sorvete? - Convidou Quinzinho.
- Oba! - Falou lambendo os lábios.
- Tsc! Tsc! Dois loucos! Eu nunca faria uma coisa dessas! - resmungou Dudu, saindo para sua casa. Onde encontrou a mãe que o esperava ansiosa:
- Ah, finalmente você chegou! O almoço está pronto!
- É? - perguntou.
- Fiz uma sopa de legumes ótima! Muito forte e nutritiva!
Porém, demonstrando cansaço, ele tombou ao chão. 
A mãe atônita, tentou reanimá-lo:
-Dudu?! Filhinho! acorda, filhinho!
E para surpresa, Dudu levantou-se sem despertar, como sonâmbulo e foi deitar-se embaixo  de sua cama, dessa feita com os olhos abertos; enquanto a mãe o procurava chamando por ele em voz alta: Dudu!!!

Comentário e esclarecimentos:

  Essa é uma história do célebre e autêntico escritor Maurício de Souza, retirada do gibi "MAGALI", de nº 75, que tenho há muito em coleção...Ela é do tempo em que nossa moeda era Cr$ (ou seja, Cruzeiro).
  Peço licença ao autor por minha ousadia, em reescrevê-la nesse blog, e nessa minha postagem, de 08 (oito) páginas em quadrinhos de "Magali no Forno" em uma história dissertativa, com diálogos; procurando ser o máximo fiel aos textos contidos nos "balões" originais.
  Dessa forma também procuro iniciar na prática, a oficina "Leitura e Elaboração de Textos" com apenas18 horas de duração, que participei recentemente na "Casa da Linguagem" - Belém.  
  Nessa história, arrisco, dar-lhe uma "Moral" para a atitude do personagem Dudu que seria: "Não se deve atirar pedras para o alto, sem o risco de receber de volta, uma delas na cabeça." 
  E para iniciar este trabalho, utilizei uma foto retirada do GOOGLE do próprio escritor, a título de identificação, assim como para ilustrar a história. 
  Meus agradecimentos a todos pelas oportunidades que me têm sido concedidas, propiciando-me momentos de grande satisfação e crescimento neste dom com que fui presenteada por Deus para esta vida.
  Muito obrigada!
                                                           Sônia Lúcia

"O RATINHO VERMELHO"


 "Naquele tempo, como ainda hoje,, todos os ratinhos que nasciam ou eram cinzentos ou eram brancos.
  Quando nasceu o ratinho vermelho, todos os bichos vieram ver a novidade e ficaram muito admirados com aquela bolinha encarnada, mexendo o rabinho e de orelhinhas em pé. (...)
  Seu Ratão, pai do ratinho vermelho, ficou todo orgulhoso e fez uma rede de corda muito macia para o filho dormir.
  A macaca, que foi a madrinha, trouxe um colchãozinho de penas de canário. (...)
   Dias depois, choveu, e lá se foi a bicharada toda à casa de seu Ratão, mas quando lá chegaram uma decepção os esperava: já não havia mais ratinho vermelho. Havia um ratinho branco.
   - Onde está o ratinho vermelho? - gritaram.
  - Sou eu mesmo - respondeu o ratinho branco. Eu nunca fui vermelho. Nasci branco, mas a macaca, que é minha madrinha, queria que eu fosse um ratinho diferente e me pintou de vermelho. A chuva lavou as cores, que não eram muito firmes...
   A macaca, que estava, num canto, deu uma risada:
   - Para outra vez vou usar uma anilina melhor.

   Todos riram e voltaram para as suas casas."

      Marques Rebêlo e Arnaldo Tabaiá,
      Coleção Pingos de de Ouro. Ed. de Ouro

      Imagem:  do Google

"O MACACO E O COELHO"

Observação

PESQUISA NA INTERNET

sábado, 7 de novembro de 2015

"AS RÃS"

 

 Duas rãs viviam num pântano. Mas no verão o pântano secou e elas foram procurar outro lugar para morar. Chegaram perto de um poço. Uma disse:
  "Parece um lugar gostoso e úmido. Vamos pular e fazer nossa casa."
Mas a outra retrucou:
  "Vamos com calma, amiga. Se este poço secar, como vamos sair e pular?"

Moral de história

É bom pensar duas vezes antes de agir.

Imagem do Google