
"Na cidade onde nasci, viviam uma mulher e sua filha; e ambas eram sonâmbulas.
Uma noite, quando o silêncio envolvia o mundo, a mulher e a filha, caminhando a dormir, encontraram-se no seu jardim, meio velado pela neblina.
E a mãe falou: "Por fim, minha amiga! Aquela por quem minha juventude foi destroçada, que construiu sua vida sobre as ruínas da minha! Pudesse eu matá-la."
E a filha falou: "Ó odiosa mulher, velha e egoísta, que se antepõe dentre mim e meu Eu livre! Que gostaria de fazer de minha vida um eco de sua vida fanada! Quem dera estivesse morta!"
Nesse momento, um galo cantou, e ambas as mulheres acordaram. A mãe perguntou ternamente: "És tu, querida?" E a filha respondeu ternamente: "Sim, querida."
"Todo grande homem que conheci tinha alguma coisa pequena em sua formação; e era essa coisa pequena que impedia a inatividade ou a loucura ou o suicídio."
Da obra PARÁBOLAS (GIBRAN KHALIL GIBRAN)- Tradução e Apresentação de MANSOUR CHALLITA (1976)
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